quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

26fev2026 - Alerta para risco de deslizamentos e enxurradas em Juiz de Fora e Ubá

24.fev.2026 - Imagem mostra escombros após desabamentos em Juiz de Fora.
 (Imagem: Pilar Olivares/Reuters)




   O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) classificou como "muito alto" o risco de ocorrências hidrológicas e geológicas devido às fortes chuvas que atingem Juiz de Fora, em Minas Gerais. São dezenas de mortos em Juiz de Fora e Ubá.
   Na noite de ontem o número de mortos após as fortes chuvas que atingiram Juiz de Fora e Ubá, na Zona da Mata mineira, aproximava de 50. 
   As autoridades orientaram os moradores a não retornarem às áreas de risco… 
    Há a possibilidade de novas enxurradas, alagamentos e inundações. A previsão indica chuvas de intensidade moderada a forte nos próximos dias. O risco hidrológico é atribuído às condições críticas do sistema de drenagem urbana.  
   Também há alerta do Cemaden para a saturação do solo. Segundo o órgão, em boletim divulgado na madrugada de hoje, é muito alto o perigo geológico, com possibilidade de novos deslizamentos em áreas de encosta, além de quedas de barreiras às margens de estradas e rodovias.
    Às 3h55, a Prefeitura de Juiz de Fora informou o desabamento de edificações na Rua Doutor Augusto Eckman, no bairro Jardim Natal. Por volta das 22h50, foi registrado um desmoronamento na Rua Tabajara, no Guaruá. Não há informação sobre vítimas.                                                               Somados já são 49 mortos, 43 em Juiz de Fora e seis em Ubá. O número de vítimas nas cidades foi confirmado pelo Corpo de Bombeiros na manhã de hoje.
   18 pessoas estão desaparecidos. São 16 desaparecidos em Juiz de Fora e dois em Ubá. Os bombeiros declararam que a busca dos desaparecidos iria continuar durante toda a noite e madrugada, ampliando as áreas de iluminação em Juiz de Fora para facilitar a atuação dos agentes. No entanto, os trabalhos foram suspensos por causa de chuvas fortes que atingem o município.

   33 corpos já foram identificados e 30 liberados às famílias até a noite de ontem, em Juiz de Fora. Já em Ubá, os seis corpos encontrados foram identificados e liberados.

    A Defesa Civil de Juiz de Fora emitiu alerta severo para risco de deslizamento de terra no município. Segundo o órgão, os moradores que estão em área de risco devem evacuar os locais imediatamente.
    Os bombeiros e a Defesa Civil estadual pediram que a população deixe as áreas de risco. As autoridades informaram ter recebido informações de que moradores que deixaram suas casas acabaram retornando às áreas de perigo. De acordo com o órgão, o aparecimento de trincas e portas e janelas emperrando, são alertas de que algo está errado. "Priorizem suas vidas", alertaram… 

   Já são 402 desabrigados e 197 desalojados em Juiz de Fora, n cidade vizinha de Ubá somam 38 desabrigados e 321 desalojados. A informação é da Defesa Civil estadual. Segundo os bombeiros, mais de 200 pessoas foram resgatadas com vida nos dois municípios.

   Nesta quinta-feira (dia 26), uma área de baixa pressão perto do litoral deve aumentar a instabilidade em várias regiões do estado. Entre elas estão: a região metropolitana de Belo Horizonte, central mineira, norte e noroeste.
   A previsão é de chuva entre 40 e 60 milímetros. Como o solo já está encharcado, há risco de alagamentos, enxurradas e deslizamentos, principalmente em áreas mais vulneráveis. (Fontes: Uol e outros sites) 

26fev2026 - STF condena irmãos Brazão a 76 anos de prisão pelo assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes

Penas aplicadas aos cinco condenados pela Primeira Turma variam de 9 a 76 anos de reclusão

Sessão de julgamento da Primeira Turma no caso Marielle. 
(
Foto: Gustavo Moreno/STF)




   A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) definiu as penas dos cinco réus acusados de planejar o homicídio da vereadora Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes, e da tentativa de homicídio da assessora Fernanda Chaves, em março de 2018, no Rio de Janeiro (RJ). As penas variam de 9 a 76 anos de reclusão.  

   O julgamento, iniciado na terça-feira (dia 24), foi concluído nesta quarta (dia 25), com a condenação de todos os réus por unanimidade. Domingos e Francisco Brazão foram condenados por organização criminosa armada, dois homicídios qualificados e um homicídio qualificado tentado. Ronald Paulo Alves foi condenado por dois homicídios qualificados e um homicídio qualificado tentado. Robson Fonseca foi condenado por integrar organização criminosa armada. 
   Já para Rivaldo Barbosa, o colegiado reenquadrou a acusação de homicídio para os crimes de obstrução à justiça e corrupção passiva, por não haver provas de sua participação direta nos assassinatos. 
   Além das penas privativas de liberdade, o colegiado estabeleceu indenização de R$ 7 milhões para reparação de danos morais causados às famílias das vítimas. 

Confira as penas para cada réu:  

Domingos Brazão (conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro) 
76 anos e três meses de reclusão (regime inicial fechado) e 200 dias-multa (cada dia-multa no valor de dois salários-mínimos à época dos fatos). 

Chiquinho Brazão (ex-deputado federal) 
   76 anos e três meses de reclusão (regime inicial fechado) e 200 dias-multa (cada dia-multa no valor de dois salários-mínimos à época dos fatos). 

Ronald Paulo de Alves (ex-policial militar) 
   56 anos de reclusão (regime inicial fechado).  

Rivaldo Barbosa (delegado da Polícia Civil do Rio de Janeiro) 
   18 anos de reclusão (regime inicial fechado) e 360 dias-multa (cada dia-multa no valor de um salário-mínimo à época dos fatos). 

Robson Calixto Fonseca (ex-assessor do TCE) 
   9 anos de reclusão (regime inicial fechado) e 200 dias-multa (cada dia-multa no valor de um salário-mínimo à época dos fatos). 

Perda do cargo 
   Como efeito da condenação, e de acordo com a jurisprudência do STF, foi decretada a perda do cargo público de Domingos Brazão, Robson Calixto Fonseca, Rivaldo Barbosa e Ronald Paulo de Alves. 

Inelegibilidade 
   Outro efeito da condenação é a suspensão dos direitos políticos de todos os réus desde a publicação da ata do julgamento até oito anos depois do cumprimento da pena.  

Prisão preventiva 
   Uma vez condenados, o relator manteve a prisão preventiva de todos os réus para garantia da ordem pública, até o trânsito em julgado da condenação. 

Conclusão do julgamento 
   Após o voto do relator, ministro Alexandre de Moraes, os demais integrantes da Primeira Turma apresentaram seus votos. Confira: 

Ministro Cristiano Zanin 
   O ministro destacou a necessidade de lembrar e de punir os responsáveis por crimes que envolvem grandes violações de direitos humanos, uma vez que a impunidade significa a manutenção de estruturas de poder “que se sentem autorizadas a eliminar opositores políticos”.  
   Zanin destacou o fato de o STF estar julgando um caso típico do Tribunal do Júri, deslocado para a Corte por prerrogativa de foro de um dos réus.    Segundo ele, o acervo de provas dos autos revela “um quadro estarrecedor” de captura do Estado por uma rede criminal complexa, com profunda penetração nos poderes públicos nas esferas municipal e estadual.  
   Essa organização, de acordo com o ministro, “controla a exploração imobiliária, as atividades de segurança, o fornecimento de serviços básicos e o direcionamento de votos sob a mira de fuzis”.  Nesse contexto, a família Brazão dominava territorial e politicamente suas áreas e tinha por objetivo tirar Marielle do caminho.  

Ministra Cármen Lúcia 
   A ministra disse que esse julgamento lhe faz muito mal, “pela impotência do Direito diante da vida dilacerada”, e manifestou sua empatia com as mães e famílias das vítimas. “A justiça humana não é capaz de apaziguar essa dor”, afirmou. A ministra destacou o caráter misógino do crime e a necessidade de punição de seus autores. “Quantas Marielles o Brasil permitirá que sejam assassinadas até que se ressuscite a ideia de justiça nesta pátria de tantas indignidades?”, questionou. 
   Cármen Lúcia também citou a soberba das organizações criminosas que atuam no Rio de Janeiro e apontou a quantidade de provas existentes nos autos da participação dos réus no crime e da estrutura dessas organizações.   
   Ao acompanhar o relator quanto a Rivaldo Barbosa, a ministra observou que não há prova definitiva para condená-lo por participação nos homicídios consumados e tentado. Segundo ela, a questão da corrupção nas instituições públicas, especialmente as de segurança, acabam minando a confiança na Justiça e no Estado Democrático.  

Ministro Flávio Dino 
   O presidente da Primeira Turma iniciou seu voto com observações sobre o instituto da colaboração premiada e a dificuldade de julgar ações penais, que, por seu caráter humano, envolvem pessoas, fatos e consequências profundas.
   Dino afirmou que as colaborações dos executores do crime, Ronnie Lessa e Élcio Queiroz, convergem entre si e são corroboradas pelas provas e pelos testemunhos anexados ao processo. Segundo o ministro, Élcio descreve a mecânica do dia do assassinato da vereadora, enquanto Ronnie Lessa, “por estar um degrau acima na cadeia de mando, faz uma narrativa um pouco mais ampla”.   
   Para Flávio Dino, o caso Marielle foi um crime “pessimamente investigado, e de forma dolosa”, referindo-se à atuação do ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro Rivaldo Barbosa, acusado de usar o cargo para atrapalhar e desviar o foco das investigações e de receber propina por isso. (noticias.stf.jus.br - Suélen Pires e Adriana Romeo/CR//CF)